Dia desses minha irmã, no alto dos seus cinco anos de bisbilhotice e diabrura, sentou-se "linda e bela" na mesa de jantar - não na cadeira, na mesa mesmo. Ao ser repreendida por Cláudia, a mulher que a cuida, não demonstrou revolta ou sublevação, mas certo interesse pela sentença "Isso não é lugar pra pôr o bumbum!".
Basta refletir brevemente acerca do tema para concluir que a afirmação é mais abrangente e suscetível a questionamentos do que, de cara, aparenta ser.
Luíza, ao adquirir aquele novo conhecimento, ainda interessada pela incipiente informação, cedeu às recomendações e acomodou-se no sofá a fim de continuar a conversa, fazendo indagações e perguntando sempre o porquê.
Será mesmo que há, de fato, lugares adequados e inadequados para se colocarem as hoje tão famosas (e desejadas) nádegas? O que dizer, então, das capas de revista masculina? Talvez o mundo precise de mais mulheres como essa "ama" para ponderar as atitudes de crianças de trinta anos. Talvez não. Pode ser que a liberdade esteja, justamente, aglutinada a essas ações implícitas de rebelião; nesse "faço o que quero com meu corpo". Mas e se for justamente o contrário? Fazer com que a imagem da mulher esteja sempre atrelada à satisfação incondicional do homem, em seus mais humilhantes e, por vezes, esdrúxulos desejos não me parece exatamente uma atividade que simbolize a quebra de correntes, representando um feminismo árdego e decidido. A independência sempre me pareceu algo tranquilo, superior. O processo de conquista é, sem dúvida, pedregoso! Sim, existem inúmeros paradigmas e preconceitos a serem dissolvidos. Porém, num país onde a Justiça está ao lado das mulheres, onde homens organizam-se contra a Lei Maria da Penha, tremem na base ao ver uma delegada "cabra da peste", onde reina o favorecimento da verdadeira contemporaneidade e há uma constante ascensão do "sexo frágil" a cargos de poder, não se pode afirmar que estamos em desvantagem, tampouco vociferar discursos pessimistas.
Mas essa situação não se repete em outros lugares... Temos muito, mas muito a conquistar - as muçulmanas que o digam, ou que não o digam. A herança do domínio masculino na sociedade perpetua comportamentos machistas que advêm de todos os lados, inclusive do feminino - algo inegável. Contudo, o que não podemos refutar, também, é a impotência da mulher fronte a muitos absurdos que ainda a acomete - mesmo que tente reagir -, como preceitos misóginos aplicados à lei no Oriente e ações que têm como fim minimizar o papel político das mulheres, o que vai desde um malicioso risinho a um claro xingamento.
Mas essa situação não se repete em outros lugares... Temos muito, mas muito a conquistar - as muçulmanas que o digam, ou que não o digam. A herança do domínio masculino na sociedade perpetua comportamentos machistas que advêm de todos os lados, inclusive do feminino - algo inegável. Contudo, o que não podemos refutar, também, é a impotência da mulher fronte a muitos absurdos que ainda a acomete - mesmo que tente reagir -, como preceitos misóginos aplicados à lei no Oriente e ações que têm como fim minimizar o papel político das mulheres, o que vai desde um malicioso risinho a um claro xingamento.
Há, ainda, aqueles que se apoiam na ilusão de que Deus não teria demonstrado a insigne representatividade da mulher no mundo através da vida de Jesus e o teria feito caso não estivéssemos, de fato, predestinadas a obedecer e ocupar, sempre, o segundo plano. Ou seja, a igualdade de gêneros não é da vontade divina. Em minha singela opinião, essa teoria é, no mínimo, estranha. Não estaria "Ele" mais do que atestando a importância da mulher facultando a ela, e somente a ela, a capacidade de conceber um indivíduo? Vejo essa habilitação como a instância máxima da soberania, do prestígio de alguém.
Mas, afinal, o que é ter uma conduta feminista? As sufragistas do século XIX teriam orgulho de como seu legado está sendo transmitido pelxs adeptxs da causa?
Não tenho certeza das respostas. Mas existe algo sobre o qual detenho absoluta convicção: a avença sempre traz benefícios. O velho e regresso maniqueísmo sexista vem acompanhado de pensamentos obsoletos, desditosas consequências, angústias infindáveis; e isso é negativo para ambos os sexos. Qualquer vertente da segregação social impõe danos irreparáveis à sociedade. É até afligidor pensar que esse cenário de separatismo poderia ser modificado agora, se todos assim desejassem. A chave das conciliações reside no reconhecimento de nossos próprios erros e nas honestas tentativas de não cometê-los mais, não em descriteriosas imprecações sem vestígio de prudência ou ínfima culpa.
Clamo pelo abraço coletivo, pela empatia e compreensão de que todos, mulheres e homens, vivemos numa corda bamba: se você tentar provocar a queda do outro, será, no mínimo, afetado pelo balanço da mesma.
Links relacionados:
http://whothehelliscely.wordpress.com/2010/12/09/separatistas-sao-os-homens/
http://kathmanduk2.wordpress.com/
http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/11460/1/2012_DeniseFerreiraCostaCruz.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ain%27t_I_a_Woman%3F
https://www.facebook.com/FeminismoSemDemagogia
https://www.facebook.com/FeminismoSemDemagogia


boa madrugada.
ResponderExcluirLi seu comentario no blog da Lola e vi seus textos, acredito que voce tem potencial, por isso sugiro http://questoesplurais.tumblr.com/ para voce dar uma olhada e tirar algumas conclusões que seu texto e sua critica lá já apontam.
anderson araujo
Obrigada, Anderson! Dei uma olhada e achei a página muito interessante, é indispensável o surgimento de espaços que abordem temas de relevância social para que todos consigamos atingir a um nível de convivência mais respeitoso e "elevado", se assim podemos dizer.
ExcluirA figura chama bem mais atenção que a história....é a velha história nojenta de dois pesos e duas medidas para homens e mulheres....affff
ResponderExcluir